quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Em minha casa éramos sempre seis.

na hora de pôr a mesa, éramos cinco
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luís Peixoto, in 'A Criança em Ruínas'

Em minha casa éramos sempre seis.

O meu pai, a minha mãe, eu e mais três irmãos.
depois casou o meu irmão mais velho dos rapazes,
depois a minha irmã mais velha, casou, eu casei a seguir,
ficou um outro irmão, que nunca casou.
Depois o meu irmão, divorciou-se e ficou na casa dele
Depois morreu o meu pai e há um ano e meio,
morreu o meu irmão que se tinha casado primeiro.
Hoje tenho a minha mãe que está com o meu irmão, (que nunca casou),
a minha irmã e eu, cada uma nas suas casas.
Frequento muito a casa da minha mãe, fazendo lá as refeições várias vezes.

E quando lá estou com eles, há sempre o lugar do meu pai e do meu irmão.
Nunca estou sozinha, porque apesar de já só sermos quatro,
sei que o meu pai e irmão,  estão felizes por nós.

Se os queria ali? Claro que sim! 

Mas percebi bem cedo, (tinha 20 anos quando o meu pai partiu), que a vida é assim mesmo.


Como diz José Luís Peixoto,

enquanto eu for viva, eles estarão sempre presentes, na minha mesa e na minha vida. 

22 comentários:

  1. Acredito muito nisso, que enquanto persistir a lembrança as pessoas continuarão a estar. Só não estão fisicamente, mas nunca partem de nós!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Enquanto for viva, eles estarão sempre cá.
      Beijinho Andreia

      Eliminar
  2. Gostei imenso desta tua publicação!! Muitos parabéns pela inspiração do poema!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu nome verdadeiro é Sandra!! Podes verificar no meu blogue que meu nome verdadeiro é Sandra!!

      Eliminar
  3. Obrigada,minha querida,por teres passado no meu blogue e teres-me dado os bons dias,tudo de bom!! Infelizmente,a vida passa mesmo a correr,o tempo passa depressa demais,beijinhos da Sandra!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois passa Sandra. Por isso aproveito para estar com quem cá está ainda.
      Beijos

      Eliminar
  4. é isso mesmo. Sempre connosco, bem junto ao coração. bjo

    ResponderEliminar
  5. E assim deveria sempre ser :) espero um dia quando for velhinha e estiver só que a minha mesa esteja sempre.cheia. bjs Nina

    ResponderEliminar
  6. Sim, e isto mesmo! Adorei o texto :) Sinto o mesmo em relacao ao meu pai, ao meu avo, e a minha avo! Enquanto formos vivos, eles estarao sempre connosco!
    Es linda, tia Nina :)
    Bjinhosss meus e do Lu
    https://matildeferreira.co.uk/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada Matilde. Há dias uma amiga partilhou o poema do Luís Peixoto. Eu edentifico me muito com ele.
      E é como digo, enquanto for viva eles estarão na minha mesa e na minha vida.
      Beijinhos para vocês.😚

      Eliminar
  7. r: Muito obrigada! São tão giras e interessantes *.*
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Lindo isso e ainda que fiquem só na lembrança os lugares, as saudades não os deixam ser esquecidos! bjs, chica

    ResponderEliminar
  9. São sim, Andreia. São sempre uma surpresa :)

    ResponderEliminar
  10. Fiquei muito emocionada com este texto. Acredita que eles estão lá, na mesa, um local de convivio de excelência! Eu acredito!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acredito sim Chica e sei que eles nos vêm e estão felizes.
      Beijinho

      Eliminar